quarta-feira, 4 de março de 2009

Bolos, doces, tortas, macarons...

Sempre gostei da cozinha.
Teve uma ocasião na qual, por contingências da nova vida de casada, fui morar no sítio que minha mãe tinha em Sorocaba. Estava no segundo ano de direito da PUC/SP (é, casei com 18 anos...) e não consegui a transferência para a faculdade de Itu. Então, vinha para São Paulo umas três vezes por semana para assistir as aulas, e, o resto do tempo, ficava no sítio. Sempre fui de acordar cedo. Então, acordava, dava meu passeio pelo sítio, ia até o riozinho que tinha lá (eu, os cachorros, e a vaca Nobreza, que me seguia atrás de frutas). Aí, voltava para casa, e, adivinhem: era cedão ainda. Ficava sozinha o dia inteiro. Foi o que bastou para que eu, sem conseguir parar quieta, pegasse uns livrinhos do açúcar União que tinham lá e fosse testando todas as receitas que me apeteciam.
Desta forma me vi fazendo alfenins (balas de côco), vários tipos de biscoitos, bolos, tortas, fios de ovos, camafeus...
Aliado a esse "estágio rural", minha mãe cozinha suuupeeerrr bem, e, antes dela a Nonna (minha vó, que apesar de nós os netos a chamarmos de Nonna, de italiana não tinha nada, era bem brasileira, descendente de Fernão Dias) fazia maravilhas na cozinha. Não dá prá negar que o gosto pelo fogão veio dessas mulheres.
Minha mãe sempre fez e faz festas e jantares nababescos. A Nonna, por sua vez, fazia com gosto os bolos dos aniversários de cada um dos seus oito filhos, oito noras, ou trinta e tantos netos (perdi a conta), que eram comemorados sempre nos almoços de sábado.
Você acredita que, com essa família enorme, a Nonna fazia religiosamente todos os sábados almoço para a família inteira? Eu amava... Amava também aquela casa enorme, com um jardim imenso e uma amoreira maior ainda no quintal. Além de uma salinha, a salinha da Nonna, que era escritora, repleta de livros (outra grande paixão), papéis, canetas lápis de cor, enfim tudo que é artigo de papelaria, que a gente podia mexer à vontade.
Claro que para essa avó brasileira ser chamada de Nonna, tinha que ter um avô italiano, Nonno legítimo. O Leone, ou Leo. Com ele eu ia muitas vezes para Araçariguama, cidade na qual ele tinha uma fazenda e criava porcos. Lá todo mundo conhecia ele. A gente saía de São Paulo lá pelas 5 da manhã, comprava pão quente numa padaria que eu não lembro mais onde fica e pegava a Castelo Branco. Chegávamos bem cedinho lá e parávamos em umas 20 casas para tomar café, comer bolo, doces de frutas, tudo feito nos fogões à lenha .... Eu simplesmente adorava ver aquelas mulheres sovando pão, batendo bolo...

Conto tudo isso para deixar bem claro que a culpa pelo que resolvi agora não é minha. Explico:

Eu que sou advogada e gosto da profissão, depois de muitos percalços e serões infindáveis em escritórios, resolvi diminuir um pouquinho o ritmo para poder ficar mais com meus filhos e fazer mais as outras coisas que gosto: ler (amo livros, até o cheiro deles) e fazer bolo.
Bolos, doces, tortas, macarrons e macarrão, marzipan, bombas...

A história dessa transição e decisão de confeitar mais é o que eu vou mostrar aqui.

Os livros ficarão fora, por enquanto.

2 comentários:

  1. Essa história eu não conhecia!!! Então toda essa maravilha é hereditária, né? Que capricho, como sempre!!! Parabéns!

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  2. Você é muito simpática, Mix. No escritório você ouvia muito mais as histórias sobre meu pai, né?

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