terça-feira, 9 de junho de 2015

Receita Retrô: Bala de Coco - alfenins...



Comecei minha aventura pela bala de coco no sítio que minha mãe tinha em Sorocaba. Logo que me casei, passamos uns três meses ali porque meu marido (hoje ex) tinha transferido a faculdade para lá. Eu estava no segundo ano de direito na PUC-SP e não consegui a transferência para a faculdade de Itú. Então, eu vinha para São Paulo umas três vezes por semana para ir à faculdade e nos outros dias ficava no sítio praticamente sozinha o dia inteiro.
Sempre fui de acordar muito cedo, então os dias eram beeeem longos. Acordava, ia dar um passeio com a vaca Nobreza (que, acreditem, me seguia que nem um cachorrinho! tudo para ganhar goiaba!! hahaha); tomava banho no riozinho, ia para a horta, para o pomar... Aí, chegava de volta à casa, fazia o almoço e, quando eu ia ver, eram 9 e 30 da manhã!! hahahaha
Nessas eu achei os livrinhos de receita do açúcar União, que minha mãe tinha guardado. Foi o que bastou para que eu fizesse e testasse um monte de receita das antigas. Fazia, fazia e guardava tudo para meus pais, que iam nos finais de semana para lá.
Em um destes livrinhos havia uma receita de bombom de cereja envolto em uma bala de coco esfarelada. Consequentemente, tinha a receita da bala de coco. Obaaaaaaa!!!


Eu vibrei!! Tinha na boca a lembrança das balas de coco que comia na infância em Socorro (interior de São Paulo), nas férias de julho, que passávamos inteirinhas em Águas de Lindóia. A gente chegava na cidade e, bem na entrada, tinha uma casinha com uma escadinha que você subia e caia direto na cozinha. A doceira e sua filha faziam os doces, e a moça ia vender em uma cestinha de palha pela cidade. A maior alegria era quando a gente chegava lá e ela estava terminando de puxar a bala de coco... Ela, a bala, ainda estava puxa e a casa inteira cheirava coco...

Eu simplesmente tinha que fazer!



E foi assim, pelas lembranças que eu peguei aquela receita de bala de coco e fui para o fogão. Acertei algumas vezes, errei outras e fui treinando, até que cheguei à receita e, especialmente, ao modo de fazer que dá certo! E vou dividir com vocês! 



Os passos devem ser seguidos direitinho e, aí, você terá estes delicados alfenins. Doces doces doces, mas que derretem na boca... é irresistível!


Chega de blá blá blá e vamos ao que interessa. 

INGREDIENTES:

- 200 ml de leite de coco (veja como fazer seu leite de coco aqui)
- 200 ml de água
- 1 quilo de açúcar refinado

MODO DE FAZER:

Misturar os ingredientes em uma vasilha, bem misturado (eu misturo com a mão, para mexer bem todo o açúcar) e então virar em uma panela funda e grande. Eu faço essa mistura separada para evitar que fique açúcar nas paredes da panela e aumente o risco de cristalizar o açúcar (leia: açucarar a calda). Então leve ao fogo baixo com uma concha mergulhada na mistura (para evitar que derrame ao ferver, pois sobe como o leite). Esta clada deve atingir o ponto de bala dura, ou ponto de vidro. Explicando: você verifica o ponto colocando um pouco da calda em uma vasilha com água e juntando com os dedos faz uma bala firma. Aí, você joga essa balinha em uma superfície de metal e faz um barulho de vidro batendo. 
Toda esta explicação, para o caso de você não ter um termômetro. Se você tiver, a calda atinge seu ponto ao chegar a 125ºC. Estando no ponto, retira-se a clada do fogo e despeja-se lentamente sobre um mármore untado com manteiga. (Há quem diga que a manteiga pode fazer a bala ficar rançosa, mas a minha nunca ficou. Se tiver dúvida, use margarina - eu nunca uso porque nunca tenho margarina em casa). Deixe esfriar por uns dois minutos no máximo, sem mexer. Há muita receita ensinando que você deve começar a mexer com uma espátula logo que põe a bala no mármore. NÃO faça isso. É uma calda fervendo. Se você começar a mexer a chance de açucarar é muito maior. 
Bem, passados os dois minutos, você, delicadamente, vai dobrando as bordas para dentro e dobra a mistura no meio, com cuidado, sempre experimentando a temperatura, pois haverão partes bem quentes. Aí, você transfere a mistura para outra parte untada do mármore que esteja fria. Aí, deixa uns segundos e transfere novamente para outra parte fria. 
Quando for suportável mexer, você começa a puxar as pontas e dobrar para o meio. E puxa novamente e dobre. Repete este operação até que bala comece a ficar perolada. Neste ponto, vai uma dica: assim que ela começar a ficar perolada, forme uns quatro rolinhos de bala e torça cada um. Aí começa a trabalhar puxando um de cada vez. Isso, porque, a medida que você começa a trabalhar a massa puxando, se acontecer de passar do ponto de puxar (puxar mais do que deve ou a bala esfriar, sim, porque ela é cortada ainda quente, ela pode começar a esfarelar. Se isso acontecer, corte os outros rolinhos sem puxar mais. O que vai acontecer é que eles podem ficar meio disformes, mas secarão e ficarão ótimos também. Ou seja, melhor puxar menos que mais, até você pegar o jeito).
Assim que ficar esbranquiçado, pode cortar, com uma tesoura untada com manteiga e deixe descansar até o dia seguinte. Se quiser (e eu sempre quero!) experimente as balas enquanto ainda não secaram...fica puxa, uma delícia! Não precisa guardar na geladeira. As balas duram uns 20 dias tranquilamente.



A explicação foi looooonga, mas necessária! hahaha Anos fazendo bala de coco! Todos os aniversários dos meninos eu fazia...agora, faço para a Clarinha, minha netinha linda!!!!

Espero que tenham gostado e que aproveitem!! Se fizerem, me contem!!!


5 comentários:

  1. querida, pois é temos as mesmas lembranças desta bala, sempre fiz muito, depois que quebrei o punho, moí o ombro, botei placas e parafusos fiquei muito receosa em fazer, mas um dia criei coragem e fiz acertei, consegui puxar sozinha, foi uma vitória, a minha receita é esta também, suas balas ficaram lindas, bjs

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  2. Minha querida, sua explicação está perfeita. Simplesmente me arremeteu ao passado, onde minha mãe amada fazia exatamente assim, onde o cheiro é o que mais está em minha lembrança. Saudades de uma época q não volta mais. Bjs.

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  3. Foi a melhor receita e a melhor explicação que achei até hoje. Obrigada por nao guardar para voce o que muitas pessoas podem aprender. Nota 1000!
    Uma pergunta: O que aconteceria se colocasse menos açucar?
    Eu lembro que sempre gostei muito dessa bala quando menina. Daquelas que derretiam na boa. Mas hoje acho muito doce.
    Um grande abraço
    Tereza

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  4. Minha mae fazia a puxa-puxa de rapadura. Voces já fizeram? É o mesmo procedimento e fica maravilhosa. Só que nós faziamos longas e enrolavamos em papel manteiga. O problema é encontrar a rapadura boa. Nao sao todas que dão o ponto.

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